"A vida é uma farsa que todos devem representar. A nossa pálida razão esconde-nos o infinito..." (Rimbaud)
"Vida é o drama criativo da existência." (Arthur da Távola)
“A vida, afinal, talvez seja uma encenação do desespero”. (Alberto Raposo Pidwell Tavares)




terça-feira, 9 de março de 2010

Se...

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Se ao menos não houvesse esse vazio que congela minh'alma...
e a tua presença já não fosse tão assintosamente visível em cada recanto da casa, jogado no tapete
ou espichado feito gato manhoso sobre o sofá da sala.
Se ao menos essa ausência não fosse tão presente e me deixasse ir embora, seguir em frente, enxergar o que há lá fora...
E o teu cheiro não estivesse tatuado no meu corpo...
E a saudade já não inundasse o meu travesseiro nessa escuridão vazia de toda noite...
E essa falta que você me faz não fosse tão medonha e assustadora; se não tivesse esse gosto amargo de irremediável...

Se ao menos eu pudesse estancar essa sangria de perguntas sem respostas, que a despeito de toda a sua incontestável e absoluta inutilidade ecoam ensurdecedoras no meu peito...
Se ao menos eu conseguisse acreditar em tudo o que meus olhos não veem, mas o meu coração que não é cego, inquieto sente...
Se ao menos eu conseguisse mudar o eixo da minha vida pra que ela parasse de orbitar ao teu redor...
E essa tempestade em que naufragou minha ilusão pudesse ter um fim
E esse mar gelado em que deriva meu coração pudesse sequer me levar a um porto... um porto qualquer, que nem mesmo precisava ser seguro...

Se ao menos eu conseguisse simplesmente ter qualquer outro pensamento ou mesmo mais algum que não me levasse a você... e olha que nem estou pedindo pra parar de te amar ou sequer pra te esquecer...
Não, não... peço apenas pra, sem ti, conseguir viver...
Não, eu não estou pedindo nada demais... eu só queria ter um pouco de paz!
Só estou pedindo a chance de me permitir aceitar
esse novo mundo de possibilidades que a vida veio me oferecer,
mas o algoz fantasma da tua presença sempre me impede de receber...

Presente Passado
(Isabella Taviani)
Ai essa saudade no meu peito
Esse vazio de você
Ai esse meu jeito meio feio
De não saber lhe perder

Você se foi sem dizer
Onde podia encontrar
Uma razão pra lhe ver
Você podia me deixar
Mas o tempo passou e essa dor não cessou

Há descaminhos em meus passos
Uma sombra que abraço
Um presente passado
Uma vontade tamanha de não ter mais vontade
Não admiro os covardes mas agora é tarde

Ai o tempo frio que me esquenta
A boca seca que me tenta
Ai o véu da noite que alumia
É meia noite em meio dia

Você se foi sem deixar
A chance de se ver voltar
Uma razão pra esquecer
É o que ficou em seu lugar
Mas o tempo passou e essa dor não cessou

Há descaminhos em meus passos
Uma sombra que abraço
Um presente passado
Uma vontade tamanha de não ter mais vontade
Não admiro os covardes mas agora


Há descaminhos em meus passos
Uma sombra que abraço
Um presente passado
Uma vontade tamanha de não ter mais vontade
Não admiro os covardes mas agora...
É tarde

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