"A vida é uma farsa que todos devem representar. A nossa pálida razão esconde-nos o infinito..." (Rimbaud)
"Vida é o drama criativo da existência." (Arthur da Távola)
“A vida, afinal, talvez seja uma encenação do desespero”. (Alberto Raposo Pidwell Tavares)




quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Novo olhar sobre velhas coisas...

Ontem eu ouvi uma frase muito interessante, embora daquelas que de tão corriqueiras e até banais, dificilmente nos fazem refletir sobre o seu verdadeiro valor, o que aliás, sempre acontece com as coisas corriqueiras e aparentemente banais... Dizia mais ou menos o seguinte: "o mundo dá voltas e tudo acaba voltando pro mesmo lugar, mas aí está tudo diferente..."

Muito mais por falta de tempo que de vontade ou inspiração tenho abandonado, muito a contragosto, o hábito de escrever (aliás, infelizmente tanto quanto o de ler...), mas hoje, remexendo em arquivos antigos e fazendo uma faxina nos "guardados", dei de cara com o texto que vem a seguir, que escrevi em um momento meio que distante, mas cuja leitura, por uma fração de segundos me levou ao exato instante que descreve... Incrível o efeito que tem reencontrar escritos, objetos, rabiscos, cartões, fotos ou o que quer que seja que nos remeta a um passado, do qual a gente lembra com saudade ou que, do contrário, nos causa imenso alívio por ter ficado pra trás e fazer jus ao nome de P A S S A D O... É como olhar o mundo com novos olhos... é como enxergar o cotidiano sob um novo prisma... é como aprender novas formas de ver as coisas velhas de sempre... é como perceber as tantas outras faces daquilo que se pensava conhecer bem... é como surpreender-se com novas informações ao reler pela enésima vez um livro antigo... é como fazer uma "faxina na alma" e ver quanta quinquilharia sem importância se guardou... É como perceber o quanto tudo muda silenciosamente dentro e fora da gente, sob o comando da intrigante disparidade entre a cronologia e a analogia do tempo...
A memória da gente é assim, né... você abre a gaveta e aparece a pontinha de um fio, que ao ser puxado pra fora arrasta consigo uma sequência das coisas mais diversas, que foram-se embolando aleatoriamente ao novelo na medida em que você foi enfiando coisas nessa gaveta. Essa rápida retrospectiva me lembrou as palavras de uma escritora chamada Lena Gino, que há tempos eu pretendia postar e agora finalmente veio bem a calhar... uma ótima oportunidade pra atualizar este espaço semi-abandonado! Eis o fio do novelo...


"Foi tão bom podermos passar algumas horinhas juntos durante esse final de semana... As conversas, as lágrimas, os desabafos, os conselhos... a simples companhia foi tão importante pra mim! Como eu estava (estou) precisando desse aconchego, dessa cumplicidade... como eu sinto falta de lançar um olhar de "socorro!" ou de "está doendo..." ou de "tenho uma pra te contar!" por sobre o computador e a gente correr pro nosso"esconderijo secreto" e eu poder me desnudar... poder dividir com você todas as angústias, medos, dúvidas e anseios que estiverem me sufocando; todas as perguntas sem respostas que teimo em fazer, mesmo sabendo que é em vão; todas as divagações absurdas da minha mente fértil (pra não dizer mirabolante); todos os sofrimentos desmedidos - às vezes tão absolutamente desnecessários, às vezes totalmente descabidos -, que sufocam meu coração tolo...
As nossas conversas me fizeram refletir muito e perceber o quanto eu estou perdida, sem rumo, navegando num mar de desilusões e frustrações que me levam ao nada... estou vivendo sem norte, apenas me deixando levar pela correnteza de águas que correm para lugar nenhum... e o mais estranho é que, apesar de perceber isso, pela primeira vez na vida me vejo sem a mínima noção do que fazer pra reverter essa situação. Estranho né?! É como se eu estivesse no meio do mar e ao olhar ao redor não fizesse a mínima diferença em qual direção seguir, porque qualquer lado é igual, tem apenas o nada, o vazio... Agora, eu olho ao redor, enxergo a situação quase que sem sofrer, mas não vejo solução. Será que estou acomodada, com medo de sair dessa desconfortável "zona de conforto"? É como se eu estivesse inerte, entregue ao sabor do vento que sopra essas águas, e tranquilamente disposta a ser conduzida por elas a qualquer lugar ou a lugar nenhum. Tanto faz...
Fiquei muito impressionada por ouvir de você algumas constatações que por muito tempo foram minhas e sobre as quais por tanto tempo eu tentei te convencer... Lembrei de outras vezes em que você me disse que eu tenho tanta convicção nas coisas que eu falo, que chego a convencer quem quer que seja das "minhas verdades"; que tenho tanta certeza das coisas que convenço qualquer um a pensar igual a mim. Fiquei imaginando o que é (foi) real e o que é (foi) fantasia, mesmo tendo a convicção de que jamais terei essa resposta! Eu sei que faço isso sempre, mas desta vez foi de uma forma diferente, que eu não saberia explicar...
Mas eu estou "bem"! Tudo isso é só pra te dizer que todas as coisas que você me disse, inclusive as muito ruins, foram e estão sendo importantes pra esse processo ainda inominável que eu estou vivendo... e embora essas minhas palavras sejam muito depressivas (eu sei), eu estou me sentindo muito melhor... Melhor, embora triste... melhor, embora alheia e perdida... melhor, embora sem identidade... melhor, embora não saiba mais o que eu quero de mim e pra mim..." (Escrito em 14 de setembro de 2009)

Pois é, hoje eu senti a doce vertigem dessas tantas voltas em que o mundo nos traz de volta ao mesmo lugar, e vi o quanto tudo está diferente... irreconhecível... Que bom que o mundo gira! Melhor ainda é que o tempo torna imperceptível essa "rotação" e quando a gente volta ao mesmo ponto, não consegue mais encontrar o ponto de partida... e é aí que se percebe o quanto tudo mudou, o quanto se aprendeu sobre e com a vida...

Pra finalizar, um texto de alguém que fala do que eu sinto melhor que eu mesma... Assim como Martha Medeiros, também Lena Gino obviamente sequer sabe que eu existo, mas é impressionante como ambas sempre escrevem textos que parecem feitos especialmente pra mim...


Desapego

Tem coisa mais difícil do que o desapego?

O sentimento de ter, de possuir coisas é muito gostoso...
Mas você já experimentou se desapegar?

A gente sofre pra se livrar de roupas, de sapatos. Passa anos olhando para aquele vestido no armário, achando que, um dia, vai surgir um evento.

É, pode até ser...
Mas enquanto a festa não acontece, porque não deixar as coisas fluírem?
Dá o vestido pra alguém, vende, sei lá.
Quando chegar a festa, um novo vestido vai te deixar mais bonita ainda.

Olhe em volta e veja quantas coisas você possui hoje e não usa...
Ou há anos nem vê.
Sabe aquelas caixas fechadas que a gente só lembra que tem quando se muda?

O desapego "ventila" a vida e abre espaço pra coisas novas. Limpar armários, prateleiras e gavetas dão mais leveza pra casa e pra cabeça da gente...

O mesmo acontece com o amor.

Às vezes a gente está envolvida numa relação com o namorado, o marido e até o amigo.
Aí a gente fica achando que está tudo pesado, que a troca não está sendo justa.
Ou que o outro fica longe demais, dá menos do que a gente espera...
Enfim, você descobre que merece mais, que quer mais de um amor.
Aí bate aquele medão de deixar ele ir embora.
É verdade: a gente se apega até aos amores errados.

Às vezes a gente nem ama mais, mas tem pena de se desapegar daquilo que sentiu um dia.
Aí é só tomar coragem, deixar o amor errado ir e esperar.

Acredite:
Outros amores virão, mais leves, mais bonitos, mais parecidos com você.
Não tenha medo de fazer uma faxina na sua casa e no seu coração de vez em quando.
Não dizem que deus, quando esvazia as mãos da gente, é pra poder encher de novo?

Pensa nisso...

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Carpe vitam, hilare sit!

Hoje é um daqueles dias nos quais,
num misto de euforia e calma,
sem quê nem mais
a felicidade invade a alma!

Não tem explicação...

E por que teria?!
Ninguém precisa de razão
se o coração se basta de alegria!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A ilha de cada um


Na ilha por vezes habitada
José Saramago

Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente
e entra em nós uma grande serenidade,
e dizem-se as palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra
e apertamo-la nas mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável:
o contorno, a vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres,
com a paz e o sorriso de quem se reconhece
e viajou à roda do mundo infatigável,
porque mordeu a alma até aos ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.

(in PROVAVELMENTE ALEGRIA, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1985, 3ª Edição)

terça-feira, 8 de junho de 2010

Caminhos desencontrados

"Tenho saudades do futuro
De todos os sonhos não concretizados
De todos os planos fadados
Tenho saudades de mim

Ainda que com essa dor não morra
Com ela ei de sofrer ad infinictum
Não nossas, mas suas,
Estradas tece agora

Pois nos caminhos desencontrados
Ficamos esperando o inexorável
Ficamos prostrados. Apenas ficamos
A esperar a hora do barqueiro."


"Teço agora não nossas
mas minha estrada
turva por uma neblina
incerta que faz do meu
futuro certo sem o seu"


Miedo
(Pedro Guerra/Lenine/Robney Assis)

Tienen miedo del amor y no saber amar
Tienen miedo de la sombra y miedo de la luz
Tienen miedo de pedir y miedo de callar
Miedo que da miedo del miedo que da

Tienen miedo de subir y miedo de bajar
Tienen miedo de la noche y miedo del azul
Tienen miedo de escupir y miedo de aguantar
Miedo que da miedo del miedo que da

El miedo es una sombra que el temor no esquiva
El miedo es una trampa que atrapó al amor
El miedo es la palanca que apagó la vida
El miedo es una grieta que agrandó el dolor

Tenho medo de gente e de solidão
Tenho medo da vida e medo de morrer
Tenho medo de ficar e medo de escapulir
Medo que dá medo do medo que dá

Tenho medo de acender e medo de apagar
Tenho medo de esperar e medo de partir
Tenho medo de correr e medo de cair
Medo que dá medo do medo que dá

O medo é uma linha que separa o mundo
O medo é uma casa aonde ninguém vai
O medo é como um laço que se aperta em nós
O medo é uma força que não me deixa andar

Tienen miedo de reir y miedo de llorar
Tienen miedo de encontrarse y miedo de no ser
Tienen miedo de decir y miedo de escuchar
Miedo que da miedo del miedo que da

Tenho medo de parar e medo de avançar
Tenho medo de amarrar e medo de quebrar
Tenho medo de exigir e medo de deixar
Medo que dá medo do medo que dá

O medo é uma sombra que o temor não desvia
O medo é uma armadilha que pegou o amor
O medo é uma chave, que apagou a vida
O medo é uma brecha que fez crescer a dor

El miedo es una raya que separa el mundo
El miedo es una casa donde nadie va
El miedo es como un lazo que se apierta en nudo
El miedo es una fuerza que me impide andar

Medo de olhar no fundo
Medo de dobrar a esquina
Medo de ficar no escuro
De passar em branco, de cruzar a linha
Medo de se achar sozinho
De perder a rédea, a pose e o prumo
Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo

Medo estampado na cara ou escondido no porão
O medo circulando nas veias
Ou em rota de colisão
O medo é do Deus ou do demo
É ordem ou é confusão
O medo é medonho, o medo domina
O medo é a medida da indecisão

Medo de fechar a cara
Medo de encarar
Medo de calar a boca
Medo de escutar
Medo de passar a perna
Medo de cair
Medo de fazer de conta
Medo de dormir
Medo de se arrepender
Medo de deixar por fazer
Medo de se amargurar pelo que não se fez
Medo de perder a vez

Medo de fugir da raia na hora H
Medo de morrer na praia depois de beber o mar
Medo... que dá medo do medo que dá
Medo... que dá medo do medo que dá

Uma vez eu te disse: "Eu ainda tenho medo, mas não tenho mais medo de ter medo". E agora?! Agora eu tenho tanto medo de perder outra vez essa segurança medonha que o meu medo me dá...

terça-feira, 1 de junho de 2010

ಇಎಇಎಇಎ "E hoje em dia, como é que se diz: Eu te amo?!" ಇಎಇಎಇಎ


E aqui estou eu de novo, questionando a inexorável decadência dos meus velhos valores e conceitos inefavelmente arcaicos, retrógrados, ultrapassados e insanos (tanto quanto ou ainda mais que eu)... tentando encontrar respostas capazes de me fazer compreender o ininteligível, o inexplicável, o intangível... Será que estou ficando velha?!
Que me perdoem os "grandes filósofos contemporâneos" e os "sofisticados poetas românticos da modernidade", mas... eu tenho que perguntar: o que diabos, afinal, é o AMOR?!
"Quem inventou o amor, me explica, por favor"! "E hoje em dia, como é que se diz: 'Eu te amo'!"?! Como é que as pessoas conseguem se apaixonar e se desapaixonar com tamanha facilidade, a ponto de declararem o seu "amor eterno" cada dia a alguém diferente?! Como é possível que o grande amor da sua vida, aquela pessoa que você diz ser tudo com o que sempre sonhou pode, de uma hora pra outra, se tornar tão desprezível e indiferente pra você, como se jamais tivesse feito parte da sua história?!
Eu sinceramente já não consigo entender esse "fenômeno" epidêmico e mutacional que acomete o mundo hoje em dia e é tachado pelo sutil codinome de "amor"... AMOR?!
Não é que eu queira uma explicação racional e lógica, nem um teorema metafísico ou um compêndio de leis orgânicas; um tratado de fenômenos físicos, uma fórmula química ou uma equação matemática com resultado exato; nem mesmo um conceito metalinguístico morfo-etimológico, sequer uma teoria epistemológica, tão pouco uma definição semântica perfeita. Não é nada disso! Muito pelo contrário, o que eu falo é justamente do irracional e desmedido sentimento que de tão sui generis jamais encontrou definição plausível nem mesmo na retórica dos mais nobres poetas... eu falo mesmo é do incontrolável, do indescritível, do imensurável... o que eu quero mesmo entender é onde foram parar as velhas e boas sensações de borboletas no estômago, mãos geladas e pernas bambas... O que foi feito do brilho nos olhos, do arrepio na espinha e do nó na garganta que embaralhavam a fala e calavam em nós esse "eu te amo" que hoje sai tão fácil?! E se o amor flui assim com tanta rapidez, por que então será que os relacionamentos duram cada vez menos?! Por que as pessoas estão cada vez mais frias e egoístas se têm tanta habilidade pra amar?! É impressão minha, ou o amor tornou-se mesmo tão fútil, vulgar e banalizado que dispensa arroubos poéticos e pieguices românticas?! Parece tão fácil dizer "eu te amo" hoje! Parece tão inexpressivo e vazio quanto um desses jargões usados de praxe em determinadas situações cotidianas, ditos aleatoriamente sem qualquer juízo de valor... tão automático e mecânico quanto dizer "alô" ao telefone!
Será possível que o advento da tecnologia chegou também ao coração humano e o modernizou a ponto de tornar tão simples e natural amar e desamar quanto ligar e desligar a televisão, o microondas ou o computador, apenas acionando com a ponta do dedo (ou quem sabe com um controle remoto de ondas cerebrais) o botão "on-off"?! Será que as pessoas hoje já nascem com um "chipzinho" pré-programado para ligar ou desligar automaticamente o seu "amor" pelas outras, de acordo com a conveniência do usuário?!
Bem... parece que estou ficando completamente obsoleta em matéria de amor, com o meu velho coração antiquado fadado a virar sucata se não passar urgentemente por um upgrade! Se duvidar, não demora muito ele poderá se tornar objeto de estudo antropológico; talvez uma relíquia arqueológica mais rara e incomum de se encontrar que um fóssil de "homus erectus"; ou quem sabe eu entre pra história da humanidade como a primeira contemporânea viva de Matusalém em pleno século XXI!
Seja como for, definitivamente eu não me enquadro nessa concepção moderna e descolada do amor... Sim, eu sou careta mesmo!!! Eu sou cafona!!! Eu sou do tempo do amor incondicional!!! Eu sou incorrigivelmente romântica; irremediavelmente passional!!! Eu acredito no amor novelesco dos finais felizes; eu acredito em "felizes pra sempre", ainda que não seja sempre; eu acredito em príncipes, ainda que não sejam encantados e virem sapos vez por outra; eu acredito no amor Shakspeareano, que "só é amor se não se dobra a obstáculos e não se curva a vicissitudes... que sofre tempestades sem nunca se abalar"; eu acredito em amor infinito, ainda que não seja imortal, mas "que seja eterno enquanto dure"... É esse o AMOR que eu quero pra mim!!!
Eu quero um amor que não esmaeça diante da minha primeira crise de TPM... Eu quero alguém que me ame apesar dos meus inúmeros defeitos, e que não os considere mais importantes e significativos que as minhas qualidades... alguém que não me veja como um monstro horrendo só porque eu tive um ataque de nervos ao ver, pela enésima vez, a tampa do vaso levantada e a toalha molhada sobre a cama... que não use o que eu disser contra mim só pra deliberadamente me magoar; alguém que pense em mim e sinta saudades todas as vezes que vir borboletas dançando ao seu redor... que não desista de mim quando perceber que eu mesma estou desistindo... que me ajude a manter vivos os meus sonhos e lute junto comigo por eles; alguém que segure firmemente a minha mão quando eu fraquejar e que não me impeça de cair, mas que seja o primeiro a me ajudar a levantar e bater a poeira... que suporte a minha teimosia e que respeite a minha opinião mesmo que não concorde com o que eu penso... alguém que me permita seguir os meus instintos e até me acompanhe, mesmo sabendo que vou me ferir, e que depois sopre os meus arranhões ao invés de cutucá-los...
Eu quero alguém que não me repudie e se desapaixone quando descobrir que eu sou tão somente uma mulher, humana e falhível, e que nem sempre vou estar linda, perfumada, sorridente e adorável como no nosso primeiro encontro; alguém que seja paciente com as minhas inseguranças e fragilidades... que compreenda, mesmo sem entender nada, os surtos infantilóides e os súbitos ataques de imaturidade da "mulher madura e vivida" que sou... que não se canse de mim quando eu chegar aos 40 e resolva me trocar por duas de 20; alguém que "me ame quando eu menos merecer, porque é quando eu mais precisarei"... que ainda saiba me amar quando as marcas do tempo e da nossa história engilharem o meu rosto e cada fio do meu cabelo se tingir de neve... que não me diga "eu te amo" o tempo todo, mas que seja capaz de me escrever sempre as mais ridículas cartas de amor(http://recantodasletras.uol.com.br/cartas/334623)
e que continue querendo partilhar comigo a sua vida depois que os arrebatamentos da paixão se esvaírem... É esse o AMOR que eu quero pra mim; é nesse AMOR que eu acredito, porque eu já ouvi "eu-te-amos" demais!!!

"O amor é uma flor delicada, mas é preciso ter coragem de ir colhê-la à beira de um precipício." (Sthendal)
"Amar é a grande desilusão de tudo mais.[...]
É a desilusão do que se pensava que era amor." (Clarice Lispector)

Eu só queria que você cuidasse
Um pouco mais de mim como eu cuido de você
Cuidar é simplesmente olhar
Pro mundo que você não vê
Pra medir o amor não existe cálculo
Um mais um pode não ser dois
Futuro é linda paisagem
Desejo que não é sonho é mera ilusão


Se não sabe
Se afaste
De mim
Se ainda cabe
Me abrace
Enfim

Só ligue se tiver vontade
Só venha se quiser me ver
Mentir é pura vaidade
De quem precisa se esconder

Se não sabe
Se afaste
De mim
Se ainda cabe
Me abrace
Enfim

Será que eu vejo apenas o que você não vê?
Eu não entendo como você não consegue perceber?
Que eu não sei mais
Eu não sei mais
Eu não sei mais
Eu não sei mais
Eu não sei mais
Eu não sei

O sangue é o rio que irriga a carne
E a alma é a terra de um morro
É luz antiga o fim da tarde
Essa saudade sem socorro

Se não sabe
Se afaste
De mim
Mas antes que seja tarde
Nos salve
Do fim

(Luz Antiga - de Nando Reis, por Ana Cañas)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

ಇ Ausência ಇ

Hoje me deu tanta saudade de ti!
Saudade de conversar bobagem, saudade de papo-cabeça, de ouvir teus conselhos...
Hoje tô meio down... precisando de alguém pra me fazer rir de graça; alguém que escute as minhas angústias sem me criticar ou esperar que eu seja uma super-mulher,
capaz de estar sempre alegre e saltitante, independente do quão sensível e fragilizada eu esteja por dentro; alguém que saiba entender todos os meus conflitos, tristezas e aflições porque se sente ou já se sentiu tão confuso e impotente quanto eu me sinto agora... alguém que pudesse me olhar não com piedade ou compaixão, mas com a complascência de quem se sente tão somente humano como eu; alguém que me abrace sem a mínima pretensão de me consolar, mas apenas pra deixar claro o quanto se importa com o que me faz sofrer; alguém que pudesse simplesmente me ouvir sem se cansar da repetitividade das minhas dores e mágoas...
Não sei por que, mas hoje senti muito mais do que sempre a falta de ti!

sábado, 1 de maio de 2010

...یo૭૭૭ßξ६εޔҩ...یo૭૭૭ßξ६εޔҩ...

Fix You (Consertar Você)
Coldplay

When you try your best, but you don't succeed
Quando você tenta o seu melhor, mas não tem sucesso.
When you get what you want, but not what you need,
Quando você consegue o que quer, mas não o que precisa.
When you feel so tired, but you can't sleep
Quando você se sente cansado, mas não consegue dormir.
Stuck in reverse
Preso em marcha ré.
And the tears come streaming down your face
E quando as lágrimas começam a rolar pelo seu rosto.
When you lose something you can't replace
Quando você perde algo que não pode substituir.
When you love someone, but it goes to waste
Quando você ama alguém, mas acaba desgastando.
Could it be worse?
Pode ser pior?
Lights will guide you home
Luzes vão te guiar até em casa
And ignite your bones
E aquecer teus ossos
And I will try, to fix you
E eu tentarei, consertar você
And high up above or down below
Bem no alto ou bem lá embaixo.
When you're too in love to let it go
Quando você está muito apaixonado para esquecer.
But if you never try, you'll never know
Mas se você nunca tentar, nunca vai saber.
Just what you're worth.
O quanto você vale.
Lights will guide you home
Luzes vão te guiar até em casa
And ignite your bones
E aquecer teus ossos
And I will try, to fix you.
E eu tentarei consertar você
Tears stream down your face
Lágrimas rolam no seu rosto
When you lose something you cannot replace
Quando você perde algo que não pode substituir
Tears stream down your face
Lágrimas rolam pelo seu rosto
And I...
E eu...
Tears stream down your face
Lágrimas rolam pelo seu rosto
I promise you I will learn from my mistakes
Eu te prometo que vou aprender com meus erros
Tears stream down your face
Lágrimas rolam pelo seu rosto
And I...
E eu...

Lights will guide to home
Luzes vão te guiar até em casa
And ignite your bones
E aquecer teus ossos
And I will try to fix you
E eu tentarei, consertar você

Ah! eu estou tão cansada!
Cansada dessa eterna gangorra emocional ...
cansada do interminável sobe e desce, da expectativa, da inquietude, da agitação... cansada de ser sacodida pro alto toda vez que sinto a ponta dos meus pés tocarem de novo o chão...
cansada dos infinitos altos e baixos dessa constante montanha russa em que descarrila o meu coração...
cansada de saber que vou despencar violentamente depois de cada longa e lenta subida e cansada de me sentir parada no meio de um gigantesco looping, num túnel que não tem saída...
cansada de me sentir só com tanta gente à minha volta...
cansada do dolorido grito inaudível que ecoa dentro de mim quando tudo ao meu redor é silêncio...
cansada desse pandemônio em minh'alma mesmo quando a paz me circunda...
cansada desse imenso vazio que preenche todo o meu ser...

Estou tão cansada das instabilidades, das contradições, das conveniências, das intolerâncias, das incoerências - minhas e alheias... estou tão cansada de sorrir, de ser gentil e "boazinha"... cansada de preferir ferir a mim mesma que aos outros...
cansada das dúvidas, das inseguranças e das convicções...
cansada de ser forte e cansada da minha fragilidade...
cansada de ter que me calar quando na verdade o que quero é gritar...
cansada de ficar quieta, de ponderar quando o meu desejo é agir sem qualquer prudência ou cautela...
cansada de ter que esperar quando a minha vontade é ir em frente sem medir consequências...
Estou cansada das coisas em que acredito e cansada da minha incredulidade...
cansada de lutar pelo que quero e cansada da minha acomodação...
cansada do caos... cansada do marasmo, da mesmice...
cansada de ferir, de ser ferida...
cansada da dor que silencia, do grito que não me alivia...
cansada das lembranças que povoam meus pensamentos, da saudade que me oprime o peito... cansada de rir... cansada de chorar...
cansada de ouvir... cansada de falar...
cansada de amar... cansada de não amar...
estou cansada... cansada de tudo... cansada até desse cansaço que me consome...

terça-feira, 20 de abril de 2010

"De Mulher pra Mulher", mesmo não sendo Marisa...

Não era, nem de longe, a minha mais remota intenção publicar um texto hoje - véspera de feriado, dia estressante de trabalho, finalzinho de tarde, cheiro de preguiça pairando no ar quente e abafado de Fortaleza, com promessa de noite de chuva daquelas que dão uma vontade enoooooorme de se jogar no sofá da sala, bem aconchegada naquele colinho com sabor de "vem-qu'eu-te-mimo", ganhando um cafuné, comendo pipoca e assistindo (entre carinhos, dengos e suspiros com gosto de paz) a uma boa comédia romântica bem "aguinha-com-açúcar" e exercitando o lado mais "mulherzinha", mais "Amélia" que toda mulher tem e adora ter, mas faz absoluta questão de negar até pra si mesma (tanto maior é o seu esforço pra esconder, pra se mostrar independente, autossuficiente) porque isso a torna vulnerável demais...
Pois bem! acontece que eu me deparei com esse texto da impecável Marta Medeiros no meu e-mail, com um título esperadamente sugestivo considerando-se o fato de ter sido escrito por ela, e foi irresistível publicar! Obviamente os grifos em vermelho são intromissões minhas. É que eu não resisti a isso também... viajei na leitura; parecia que ela 'tava conversando comigo! Aí eu tinha que responder né...
Ela até pode não ser perfeita, já que é apenas, como diz ela mesma, "humildemente uma mulher", mas seus textos, particularmente este, com certeza o são...

MISS IMPERFEITA
'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado, decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, marido (se tiver), telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!
E, entre uma coisa e outra, leio livros. (Muito menos do que eu gostaria, é verdade...)
Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO. (Um dia eu aprendo também!)
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás.
Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho. (Em relação ao segundo pedido até que eu fui uma boa menina, mas o primeiro... huuummm! Aliás, até hoje não consegui atender!)
Você não é Nossa Senhora.
Você é, humildemente, uma mulher.
E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta (eu tô aprendendo... tô aprendendo...), não é topar qualquer projeto por dinheiro (ah! isso eu não faço mesmo! Ganância é definitivamente contra os meus princípios), não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo. (Pior ainda! Tentar atender a todos e ainda se achar dispensável!!!)

Tempo para fazer nada.
Tempo para fazer tudo.
Tempo para dançar sozinha na sala. (Ou pra dançar a dois... na sala...)
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos. (A Bienal do Livro...)
Tempo para sumir dois dias com seu amor.
Três dias...
Cinco dias! (Uma semaninha?!) :P
Tempo para uma massagem. (Pra ganhar e pra fazer também, de vez quando...)
Tempo para ver a novela.
Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.
Tempo para fazer um trabalho voluntário.
(O prazer que isso dá é IN-DES-CRI-TÍ-VEL!!!)
Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto. (Adivinha: de borboletas!)
Tempo para conhecer outras pessoas.
Voltar a estudar. (Fazer outra faculdade; aquela com que você sempre sonhou... :])

Para engravidar. (Quem sabe dessa vez?!)
Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado. (Na dúvida, escreva simplesmente num blog! Assim você tem certeza de que será "editado"!)
Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.

Existir, a que será que se destina?
Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000
(Eeeca!!! Eu odeio IsSO, da 9000 à 22000), não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem. (Já desisti faz tempo! Não quero provar mais nada, principalmente pra mim mesma!!!)
Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!
Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.

Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C. (Opa! então nem vai me custar tanto assim...)
Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.
E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante.'
(Ouso dizer que podem mesmo te dar muito mais prazer, incluindo, SIM, o rosto lavado e ainda acrescentando o cabelo esvoaçando ao vento e uma leve espuma salgada desvanecendo sob os pés descalços! Ahhh! isso é que vida... isso é que é 7 estrelas... isso é uma constelação inteira... isso, é PERFEIÇÃO!!!)

(Texto da fantástica jornalista e escritora Martha Medeiros, publicado na Revista do Jornal O Globo e presenteado por uma das pessoas mais especiais que eu já conheci!)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Tudo novo... de novo!

Qualquer semelhança é mera coincidência!
Simples assim... :D

http://liliaeooliveira.blogspot.com/2009/12/dezembro.html

Tudo novo de novo - Paulinho Moska
Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim

Vamos acordar
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim

É tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos

Vamos celebrar
Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou

E vamos terminar
Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou

Mas é tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos

quinta-feira, 25 de março de 2010

Mais do mesmo...


Melhor assim...
mesmo que nunca acabe
tudo um dia chega ao fim!
Mas eu sei que entre teus pensamentos,
ainda que por um breve momento,
ao menos um sempre será dedicado a mim.
E, embora isso não me console,
hoje eu sei... é bem melhor assim...

domingo, 14 de março de 2010

Tá escrito...


Quem cultiva a semente do amor
Segue em frente e não se apavora
Se na vida encontrar dissabor
Vai saber esperar sua hora

Quem cultiva a semente do amor
Segue em frente e não se apavora
Se na vida encontrar dissabor
Vai saber esperar sua hora

Às vezes a felicidade demora a chegar
Aí é que a gente não pode deixar de sonhar
Guerreiro não foge da luta não pode correr
Ninguém vai poder atrasar quem nasceu pra vencer

É dia de sol, mas o tempo pode fechar
A chuva só vem quando tem que molhar
Na vida é preciso aprender
Se colhe o bem que plantar
É Deus quem aponta a estrela que tem que brilhar.

Erga essa cabeça, mete o pé, e vai na fé
Manda essa tristeza embora.
Basta acreditar que o novo dia vai raiar
Sua hora vai chegar.


(Música: Grupo Revelação - Composição: Xande De Pilares; Gilson Bernini; Carlinhos Madureira )

terça-feira, 9 de março de 2010

Se...

video

Se ao menos não houvesse esse vazio que congela minh'alma...
e a tua presença já não fosse tão assintosamente visível em cada recanto da casa, jogado no tapete
ou espichado feito gato manhoso sobre o sofá da sala.
Se ao menos essa ausência não fosse tão presente e me deixasse ir embora, seguir em frente, enxergar o que há lá fora...
E o teu cheiro não estivesse tatuado no meu corpo...
E a saudade já não inundasse o meu travesseiro nessa escuridão vazia de toda noite...
E essa falta que você me faz não fosse tão medonha e assustadora; se não tivesse esse gosto amargo de irremediável...

Se ao menos eu pudesse estancar essa sangria de perguntas sem respostas, que a despeito de toda a sua incontestável e absoluta inutilidade ecoam ensurdecedoras no meu peito...
Se ao menos eu conseguisse acreditar em tudo o que meus olhos não veem, mas o meu coração que não é cego, inquieto sente...
Se ao menos eu conseguisse mudar o eixo da minha vida pra que ela parasse de orbitar ao teu redor...
E essa tempestade em que naufragou minha ilusão pudesse ter um fim
E esse mar gelado em que deriva meu coração pudesse sequer me levar a um porto... um porto qualquer, que nem mesmo precisava ser seguro...

Se ao menos eu conseguisse simplesmente ter qualquer outro pensamento ou mesmo mais algum que não me levasse a você... e olha que nem estou pedindo pra parar de te amar ou sequer pra te esquecer...
Não, não... peço apenas pra, sem ti, conseguir viver...
Não, eu não estou pedindo nada demais... eu só queria ter um pouco de paz!
Só estou pedindo a chance de me permitir aceitar
esse novo mundo de possibilidades que a vida veio me oferecer,
mas o algoz fantasma da tua presença sempre me impede de receber...

Presente Passado
(Isabella Taviani)
Ai essa saudade no meu peito
Esse vazio de você
Ai esse meu jeito meio feio
De não saber lhe perder

Você se foi sem dizer
Onde podia encontrar
Uma razão pra lhe ver
Você podia me deixar
Mas o tempo passou e essa dor não cessou

Há descaminhos em meus passos
Uma sombra que abraço
Um presente passado
Uma vontade tamanha de não ter mais vontade
Não admiro os covardes mas agora é tarde

Ai o tempo frio que me esquenta
A boca seca que me tenta
Ai o véu da noite que alumia
É meia noite em meio dia

Você se foi sem deixar
A chance de se ver voltar
Uma razão pra esquecer
É o que ficou em seu lugar
Mas o tempo passou e essa dor não cessou

Há descaminhos em meus passos
Uma sombra que abraço
Um presente passado
Uma vontade tamanha de não ter mais vontade
Não admiro os covardes mas agora


Há descaminhos em meus passos
Uma sombra que abraço
Um presente passado
Uma vontade tamanha de não ter mais vontade
Não admiro os covardes mas agora...
É tarde

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Don't stop bilieving

Incrível como as coisas (e arrisco mesmo dizer que até as pessoas) "imprescindíveis" na nossa vida, aquelas "sem as quais a gente não poderia sequer imaginar a possibilidade de viver", com o passar do tempo vão sendo estranha e repentinamente suprimidas, substituídas (quiçá descartadas, ignoradas como se nunca tivessem existido), dando lugar a outras mais urgentes e necessárias, caindo no esquecimento, ou simplesmente perdem o seu inestimável valor. Involuntariamente a gente vai deixando alguns hábitos e vontades, mudando de gostos, esquecendo velhos valores enquanto outros começam a ocupar espaço no nosso cotidiano sem sequer tomarmos consciência disso. E o mundo vai seguindo o seu curso nem sempre silencioso mas imprevisivelmente rápido, sem nos dar tempo de contemplarmos nossas pequenas metamorfoses diárias. Aí uma coisa banal acontece e... pliiiim! parece que desperta a gente do transe que nos conduz sob a regência alucinante dos ponteiros atômicos que nunca param pra esperar que se planeje o próximo passo, ou pra que se perceba o que está ficando pra trás (talvez porque muitas vezes nem seja mesmo importante!)... e nesse ritmo frenético, lembrar certas coisas ou fatos ou pessoas ou seja lá o quê que o tempo se encarregou de distanciar de nós, é como olhar pra uma antiga fotografia amarelada, com aquelas roupas agora bregas e os penteados megalomanamente estranhos em que não nos reconhecemos mais, e que mesmo assim trazem aquela saudadezinha gostosa de sentir, quase melancólica cujos motivos jamais conheceremos, de momentos passados ainda tão presentes que parecem estar acontecendo aqui e agora.
Nossa! Como foi possível que aquilo caísse no vazio do esquecimento sem sequer fazer falta ou sem nos darmos conta da enorme falta que faz?!

Mais espantoso é perceber que entre as tantas coisas que, mesmo muito importantes pra mim, andam esquecidas no fundo de uma das velhas gavetas da memória que quase nunca abro (ao menos não com a frequência com que costumava ou gostaria), ou andam encobertas pela fina poeira da cômoda desculpa de que não tenho tempo, ou foram simplesmente lacradas naquele antigo baú com dobradiças enferrujadas pela temerosa cautela de abrir uma caixa de Pandora, estão pequenos prazeres, como reler antigos cartões de aniversário ou que acompanharam as minhas flores favoritas, ou mesmo os escritos ao acoso, sem qualquer motivo que pudesse ser mais especial que o mero sentimento neles derramado... prazeres como ouvir repetidas vezes aquela música de que eu gosto tanto e que me causa sensações inenarráveis sem qualquer explicação razoável ou sensata que o meu consciente conheça; ou aquela outra que marcou pra sempre e é melhor nem ouvir mesmo, porque desperta sensações que definitivamente ficam melhores adormecidas... prazeres como me dar ao luxo de dormir até acordar, sem lembrar que existe despertador ou hora marcada pra fazer qualquer coisa - ainda que seja alguma necessidadade vital, como comer - e quando decidir acordar não me sentir culpada por ter perdido aquele precioso tempo que poderia ter "aproveitado" em alguma ocupação entediante e sem fim... prazeres como comer um monte de porcarias engoradativas e sem qualquer valor nutritivo pelo simples prazer do gosto e do cheiro de infância que elas me proporcionam... e por falar em infância, prazeres como tomar banho de chuva até ficar gripada, ou então sentar na areia da praia ou no telhado e ficar ali ilhada pela magia hipnótica da lua durante uma infinidade incalculável de minutos (e viajar até a lua... ou com a lua... ou na lua... ou pra lua), evitando até respirar pra não estragar a singularidade daquele encontro cósmico... Como é que eu tenho conseguido ficar tanto tempo sem isso???

Como eu disse antes, é geralmente uma situação tola e banal que faz a gente se dar conta do quanto está se distanciando do que é realmente importante na nossa vida e perceber que ao invés de viver, está apenas SOBREvivendo... E de tanto correr e lutar por coisas que muitas vezes nem paramos pra avaliar quanto valem pra nós, acabamos esquecendo de dar a outras o devido valor, ou esquecendo os nossos valores, ou esquecendo o nosso próprio valor... Ontem eu percebi isso tão claramente! Ontem alguém, do alto dos seus 12 anos de idade e com toda a autoridade concedida pela sabedoria que a inocência impõe, me ensinou (e espero sinceramente ter aprendido) uma das lições mais importantes da minha vida... Talvez por essa razão, hoje o meu despertador mental me acordou tocando
Don’t stop believing
, do Journey (será que alguém ainda ouve Journey?! Será que alguém aí já ouviu falar do Journey?!), uma entre as muitas que há tempos eu não parava pra ouvir... e me permiti um daqueles prazeres de que já havia-me esquecido. Ouvi a música uma dúzia de vezes, assisti ao vídeo umas 3 ou 4, e fiquei tentando entender que mensagem subliminar pode estar escondida por baixo daquela camiseta com estampa de onça pintada do vocalista… Seria um sugestionamento implícito, uma forma tácita de imprimir no subconsciente do expectador a idéia de acreditar naquilo que se deseja com a ferocidade felina?! Foi aí que senti que a minha fé anda insignificantemente minúscula, que minhas preces parecem inaudíveis e como tenho gasto o meu tempo fazendo mais o que supostamente devo, preciso ou "tenho que", em lugar daquilo que realmente quero ou acredito, mas ainda assim... I don't stop bilieving!


Just a small town girl, livin' in a lonely world
She took the midnight train goin' anywhere
Just a city boy, born and raised in South Detroit
He took the midnight train goin' anywhere

A singer in a smoky room
The smell of wine and cheap perfume
For a smile they can share the night
It goes on and on and on and on

Strangers waiting, up and down the boulevard
Their shadows searching in the nights
Streetlights, people, living just to find emotion
Hiding, somewhere in the nights

Working hard to get my fill,
Everybody wants a thrill
Payin' anything to roll the dice
Just one more time

Some will win, some will lose
Some are born to sing the blues
And now the movie never ends
It goes on and on and on and on

Strangers waiting, up and down the boulevard
Their shadows searching in the night
Streetlights, people, living just to find emotion
Hiding, somewhere in the nights

Don't stop believin'
Hold on to that feelin'
Streetlight, people

Don't stop believin'
Hold on to that feelin'
Streetlight, people
Don't stop
(Journey: Don't stop bilieving - Composição: Steve Pery/Jonathan Cain/Neal Schon)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

... Hoje, amanheceu chovendo...

Dias assim são tão nostálgicos... impossível controlar a torrente de sentimentos, muitas vezes controversos, que brotam, eclodem e se mesclam num turbilhão de cores, todas matizes de um cinza tão ou mais profundo que a neblina que embaça o vidro da janela... impossível conter ou contar os"pingos" que deslizam paralelamente, inadvertidos, incontroláveis... de um lado mais lentos e espessos, do outro mais finos e rápidos... de um lado doces como as lembranças, do outro salgados como as mágoas... escorrendo cada um do seu lado, lado a lado, até tocar o chão e se misturarem...
a terra molhada com cheiro de infância... o nó na garganta com sabor de saudade... os sentidos entorpecidos, a vontade de fazer nada...

Em dias assim, as emoções parecem aflorar com a água que desaba do céu, irregulares, intempestivas, invasivas... inundando a rua... e a alma... e os olhos...

Por que será que dia de chuva tem assim esse tom de "nunca mais..."? Por que será que dia de chuva tem o dom de nublar o coração? Por que será que em dia de chuva, aqui dentro fica ainda mais escuro do que lá fora? Por que será que quando a chuva passa, a nostalgia demora tanto pra ir embora?!


Chove lá fora e aqui
Tá tanto frio
Me dá vontade de saber
Aonde está você?
Me telefona
Me chama, me chama, me chama
Nem sempre se vê

Lágrima no escuro
Lágrima no escuro
Lágrima

Tá tudo cinza sem você
tá tão vazio
E a noite fica assim porque
Aonde está você?
Me telefona
Me chama, me chama, me chama
Nem sempre se vê

Mágica do absurdo
Mágica do absurdo
Mágica, cadê você?
Nem sempre se vê
Lágrima no escuro
Lágrima no escuro
Lágrima

Aonde está você?
Me telefona
Me chama, me chama, me chama
Nem sempre se vê

Lágrima no escuro
Lágrima no escuro
Lágrima cadê você?
Mem sempre se vê

Mágica do absurdo
Mágica do absurdo
Mágica, cadê você?
Cadê você? cadê você?
Cadê você? cadê você?
(Me Chama - Lobão)
"Talvez a vida mude e nossa estrada pode se cruzar...
Amor, meu grande amor, estou sentindo
Que está chegando a hora de dormir."