"A vida é uma farsa que todos devem representar. A nossa pálida razão esconde-nos o infinito..." (Rimbaud)
"Vida é o drama criativo da existência." (Arthur da Távola)
“A vida, afinal, talvez seja uma encenação do desespero”. (Alberto Raposo Pidwell Tavares)




sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Estigmas

Certo ou errado?!
Certo ou errado?!
Quem não pula o muro
Não aprende a se arriscar
Não tá com nada... oh! oh! oh!
Não tá com nada...

Certo ou errado?!
Certo ou errado?!
Quem não sai na chuva
Não aprende a se molhar
Não tá com nada... oh! oh! oh!
Não tá com nada...

("Certo ou Errado",interpretada por Patricia Marx - Composição: Michael Sullivan e Paulo Massadas)

CERTO ou ERRADO?!

Entre tantos outros questionamentos e conflitos que incessantemente insistem em me invadir, este é, sem sombra de dúvida, o que assola meus pensamentos com maior freqüência ultimamente. Aí hoje, assim do nada (ou como quem não quer nada) me veio à mente essa musiquinha (“é a nova!”)... então eu resolvi compartilhar a minha dúvida: o que, afinal de contas, é o CERTO e o que é o ERRADO além de meros conceitos que a gente aprende ao longo da vida, de diferentes formas, em diferentes lugares, em diferentes momentos, com diferentes pessoas...?!

É claro que eu não estou falando de profundos valores morais e éticos, como honestidade, caridade, respeito... consensualmente definidos pela sociedade como “certos”; nem tampouco de matar, roubar ou destruir a natureza, considerados “errados” em qualquer lugar do mundo. Aliás, se bem analisados, até mesmo estes valores podem ser relativos, dependendo do contexto... mas, isso não vem ao caso... Não se trata disso! Ao contrário, estou falando mesmo é das coisas mais banais do cotidiano, de pequenos “valores toscos” que aprendemos em casa, na escola... Estou falando de “valores” culturais, individuais, familiares... valores herdados, embutidos em nossas mentes, tão arraigados em nossa alma que parecem fazer parte dela, de tal forma que sequer questionamos o seu porquê... simplesmente os internalizamos e cumprimos, passando-os de geração a geração “sem qualquer dúvida” de que o certo e o errado são exatamente como aprendemos que era... Estou falando de conceitos apreendidos ao longo da vida, decorrentes de uma criação castradora ou de uma educação rígida, e não de aprendizados capazes de nos fazer criar nossos próprios conceitos do que é verdadeiramente certo ou errado... Estou falando de “acertos” e “erros” que podem não ser tão certos ou tão errados assim... Estou falando de atos e fatos do dia a dia, tão corriqueiros como tomar um banho de chuva sem se preocupar em ficar resfriado... como pular o muro do vizinho... como roubar flores num jardim... como andar descalço na rua debaixo de sol a pino... como subir numa árvore pra roubar uma fruta de que você nem gosta pelo simples prazer da aventura... como subir escondido no telhado pra apreciar a lua e ter a sensação de que está mais perto dela...

Por que será que quando a gente é criança é tão mais fácil burlar esses conceitos medíocres dos adultos, que no fim das contas pouco ou quase nada acrescentam ao nosso caráter e quando nos tornamos adultos, muitas vezes ficamos tão hipócritas ao ponto de ainda repassá-los aos nossos filhos?! Por que, ao invés de proibi-los de fazer essas “coisas erradas”, não subimos no telhado com eles pra lhes mostrar o quanto a lua é mais bonita lá de cima? Por que não entramos secretamente nos jardins das casas pra lhes presentear com uma flor roubada? Por que não corremos na chuva com eles até ficarmos ambos resfriados?

Muitas vezes ainda ficamos furiosos quando eles desrespeitam esses conceitos, quando fazem essas “coisas erradas”... por vezes esquecemos que era exatamente o que fazíamos quando tínhamos a idade deles e os adultos tentavam nos convencer dos seus paradigmas sobre o certo e o errado...

Quanto mais eu penso a esse respeito, mais me convenço de que ainda preciso fazer muitas “coisas erradas” e parar de fazer um monte de “coisas certas”... não que eu tenha deixado de tomar banho de chuva até me resfriar ou de roubar flores nos jardins das casas ou de subir no telhado e até fazer muito mais do que apenas apreciar a lua (Ô! bem mais!!!)... mas há tantas outras “coisas erradas” que eu deixei de fazer... e há tantas “coisas certas” que eu preferia não ter feito só por causa de alguns conceitos idiotas que, mesmo questionando, eu nunca experimentei contrariar... Que loucura isso!

Mas tudo bem! Ainda não é tarde... Eu ainda tenho bastante tempo pra cometer os “erros” que eu deixei passar e “corrigir coisas certinhas demais” que eu poderia ainda fazer... Aliás, acho que estou chegando à etapa da vida em que o ser humano começa a retroagir no tempo, até voltar a ser novamente criança e desencarnar... Será que estou ficando velha?! 8-]

Como eu disse no post anterior, o momento mais feliz e memorável da minha vida nos últimos meses foi um ato de extrema irresponsabilidade... Acho que isso, entre outros acontecimentos, está me fazendo rever meus conceitos... E, sabe de uma coisa: eu tô adorando fazer um monte de “coisas erradas” no lugar das “coisas certas” que eu sempre fiz...

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Confissões de Adolescente

Sinto decepcionar, mas não agüento mais ser a “boa menina”! Não suporto mais carregar nas costas o peso do mundo... a excessiva carga da responsabilidade de ser “modelo de perfeição”, de ser “exemplo de coragem e determinação”... Cansei de ter que ser sempre uma “fortaleza inabalável”... de ter que agüentar de frente e em pé as porradas da vida... de não poder lamentar perdas, chorar derrotas ou amargar fracassos... Não quero mais dizer sempre “SIM” a tudo e a todos só pra não ferir, magoar ou desagradar a ninguém... Chega de ver tudo e todos com “bons olhos”... de acreditar que todo mundo é bonzinho, inocente, inofensivo até que me provem o contrário...

Deixem-me ser frágil... permitam-me errar de vez em quando pra aprender de outras formas... concedam-me o direito de meter os pés pelas mãos, de fazer burradas e precisar que alguém me ajude a consertá-las...
Deixem-me ser molenga ... permitam-me recuar, desistir vez por outra sem precisar sentir culpa... concedam-me o direito de fracassar e ainda assim ser aplaudida simplesmente por ter tentado...
Deixem-me ser desagradável e má... permitam-me experimentar o sabor de dizer um sonoro “NÃO” a alguém quando me der vontade... concedam-me o direito de hostilizar pessoas que se aproximam de mim só pra tirar algum proveito...
Deixem-me ser covarde... permitam-me experimentar uma fuga aqui, outra ali, enquanto o tempo passa e as coisas se acomodam sem que eu precise lutar por isso... concedam-me o direito de sentir medo, de chorar e me dêem colo aos invés de críticas... “Quem sabe eu ainda sou uma garotinha!”

Sinto decepcionar, mas não consigo mais fazer o papel da “boa moça”... eu preciso exercitar o meu lado vilã... Quero experimentar o gostinho de mexer o caldeirão, de preparar uma poção mágica e envenenar a maçã ao invés de comê-la e depois “deitar e fingir de morta” até que o príncipe encantado apareça... Preciso, ao menos uma vez, ser a madrasta malvada ou a irmã feiosa que se dá bem durante a estória toda, em vez de ficar esperando pelo último parágrafo pra calçar o sapatinho de cristal e passar de gata borralheira a princesa, num passe de mágica...

Já percebeu que normalmente o mocinho sofre, apanha e perde o tempo todo pra ser herói nos instantes finais, enquanto o bandido se dá bem durante o filme inteiro?! Pior... às vezes (eu arriscaria até dizer que na maioria delas), você ainda torce pelo bandido, porque ele é bem mais esperto e consegue sempre driblar o babaca do mocinho, que só o vence no último momento, um pouquinho antes de exibirem os créditos (aquelas letrinhas que aparecem quando termina o filme) e geralmente vence por um golpe de sorte ou num daqueles terríveis “duelos” onde ele (mocinho) é à prova de balas... granadas... canhões... bazucas... explosões e toda sorte de instrumentos letais...

Ah! Definitivamente, eu agora quero ser o bandido... a bruxa má... a vilã... a madrasta impiedosa...
Cansei de me privar do direito de cometer erros e me sentir culpada por não conseguir fazer tudo dar certo o tempo todo... Deixem-me ser humana... permitam-me cometer erros como qualquer ser humano... concedam-me o direito de fazer coisas que seres humanos fazem... Erradas? Pra quem? Família? Amigos? Sociedade? Quem se importa? A coisa mais memorável que eu fiz nos últimos meses foi cometer a burrada mais homérica da minha vida... eu nunca, até então, havia sido tão absolutamente irresponsável e inconseqüente... eu nunca antes tive o prazer, o orgulho e a felicidade de ser tão absolutamente irresponsável! Nunca pensei que ser COMPLETAMENTE IRRESPONSÁVEL pudesse me fazer tão FELIZ!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Moinhos de vento, Muralhas de ilusão...


É errando que se aprende?! Pois bem... ou eu sou muito burra, ou vou precisar nascer tartaruga da próxima vez... Quem sabe vivendo uns duzentos anos eu consiga chegar ao estágio da aprendizagem! Pois esta encarnação, só está sendo suficiente para cometer os erros... creio que a parte do aprendizado vai ficar para a próxima...

Já errei tanto tentando ser a certinha... pra que será que me ensinaram que o certo era ser certinha?! Só pra que eu me ferrasse de “consciência limpa”?!

É incrível a minha capacidade de sempre acreditar que as verdades podem não ser tão verdadeiras assim e depois insistir para que elas continuem sendo verdade quando deixam de existir...

A minha capacidade de ignorar o meu sexto sentido, mesmo quando ele pode ver/ler, ouvir, dizer, gritar, sentir, farejar, degustar e até tocar as coisas é simplesmente lastimável!

Por muito tempo – tempo demais, pra ser sincera – carreguei o peso de uma cruz que eu não merecia... uma cruz que eu mesma me impus pra me punir de erros que eu jamais cometi... Sofri sozinha com a minha carga, até que um dia um Anjo apareceu e tentou de várias formas me aliviar do peso dela, mostrando-me que essa cruz não era minha. Mas eu fui “adestrada” pra acreditar que precisava me punir, que não podia abandonar aquela cruz e acabei punindo também aquele Anjo que tentou salvar-me dela, mesmo ele nada tendo a ver com as minhas auto-penitências... Um dia, então, cansado e vencido, ele bateu asas e foi-se afastando de mim... de pouco em pouco... até tornar-se distante... até ficar inatingível...

E de repente, o peso sobre os meus ombros se multiplicou incontáveis vezes, até que eu não pudesse mais suportá-lo e caísse em um abismo escuro e profundo... um buraco negro... um poço sem fundo... Finalmente, na queda, soltei a cruz que por tanto tempo carreguei, mas junto à sensação de alívio que me salvava veio a condenação da perda...

Em queda livre, continuei despencando sem conseguir encontrar o fundo do poço... “O fundo do poço às vezes é um bom lugar... ao menos você sabe que não tem mais para onde ir e o único caminho que resta é a subida...” Mas como é dura a escalada de volta, ainda mais quando seus pés ainda não encontraram o fundo do poço e seus olhos não conseguem vislumbrar qualquer clarão de luz...

Fiquei esperando que meus pés tocassem o fundo do poço, ao menos eu teria o chão sob eles, ainda que lamacento, escorregadio e fétido... ao menos haveria chão! Mas... NADA!!! Quando penso que é o fim, que enfim encontrei o fundo desse poço sem fundo, caio um pouco mais...

Durante anos, enquanto carregava aquela cruz que não me pertencia, passei pela vida sem vivê-la... passei pela minha juventude sem me permitir apreciar o brilho do sol que banhava meus dias ou os mistérios da lua que inundava as noites... Durante anos tive medo de seguir por caminhos floridos por lembrar a dor dos espinhos que ainda estavam cravados na minh’alma... Durante anos me exigi racionalidades de adulta, de profissional, de mulher, sufocando a espontaneidade inocente da criança alegre e vivaz que havia em mim... E com isso construí rígidas muralhas de seriedade, de sobriedade, de sensatez... tornei-me uma “fortaleza” admirável àqueles que não percebiam que tudo isso era uma defesa, uma forma ingênua e insana de me proteger de tudo... do mundo... da vida... como se fosse possível!

Somente eu sabia que aquilo era tudo, menos viver... E meus muros de proteção foram crescendo, dia após dia, ano após ano, causando uma ilusão de segurança tamanha que chegava a convencer a mim mesma... Até que um dia, alguém finalmente conseguiu furar o cerco... encontrou uma pequena brecha no meu muro medieval e adentrou os calabouços daquele castelo a tanto tempo abandonado... Revirou... remexeu... abalou suas estruturas... suas paredes ruíram... Tudo o que estava guardado sob sete chaves durante todos aqueles anos veio à tona... Mas ele não despertou somente a criança adormecida lá dentro... Junto dela vieram todos os seus medos e fantasmas... os seus brinquedos e também as armadilhas... O castelo tornou-se então um labirinto... enquanto ele abria uma porta à sua frente, outra atrás de si se fechava... Um castelo assombrado??? Certamente...

Durante anos me digladiei com meus próprios dragões interiores e acreditava tê-los vencido, ou ao menos acreditava que fossem apenas moinhos de vento... até aparecer aquele cavaleiro montado em seu cavalo branco e libertá-los todos outra vez... Então a minha arena emocional se abriu novamente e eu tive que enfrentar de novo dragões e fantasmas, bruxas e leões... imaginários... inimagináveis... mas todos tão reais...

Por que tantas armadilhas? Pra que tantos labirintos? Se o meu castelo de auto-proteção caiu, por que os monstros não ficaram soterrados sob os escombros? Por que, se não era a eles que você buscava libertar?

E eu, que por muito tempo me puni sem merecer, agora sou punida por isso?! Por muito tempo me puni sem ao menos o saber e, por isso mesmo, também puni você... Então, agora, sou punida por merecer?! Em vão tento entender... Por que será que eu não posso ser igual a todo mundo e aceitar as coisas como elas devem ser, sem precisar sempre entender o porquê?! Será que só por isso eu tenho que sofrer?! Será que isso tem, necessariamente, que te fazer sofrer?! Será que eu vou sempre sentir tanta necessidade de tudo e a todos entender?! Quem será que inventou o maldito por quê?!

Infelizmente eu sou assim, questionadora... sempre fui, talvez sempre vá ser... Você já considerou isso como uma qualidade, lembra?! Mas isso foi antes de tudo virar “tudo isso que já não é mais nada disso”... Desculpe-me se hoje, você não é capaz de entender... Se hoje sou culpada, assumo a minha culpa... a culpa de não ter aceito ser feliz... A culpa de me impor um peso que eu sequer percebia que carregava... e de continuar carregando-o sem entender por que você tanto me dizia para ser mais leve... Justo eu, que tanto gosto de entender o porquê das coisas, continuei carregando esse peso que não tinha por que, sem ao menos me perguntar por quê... Mas não me culpe por não tê-lo largado, mesmo depois de você ter-me alertado... meus olhos estavam vendados, meus ouvidos fechados... Se não larguei a minha cruz, se não ouvi você, não foi por querer... Afinal, quem é que gosta de sofrer?! Quem, em sã consciência, trocaria o prazer do amor pelo martírio da dor?!

Não me puna mais... não me culpe mais... Deixe-me apenas viver o meu amor em toda a sua plenitude! Pouco me importa se ele agora é platônico... apenas quero vivê-lo para amanhã não sucumbir novamente diante da dor... apenas “quero vivê-lo em cada vão momento/ e em seu louvor hei de espalhar meu canto, e rir meu riso, e derramar meu pranto/ ao seu pesar ou seu contentamento”... Apenas deixe-me vivê-lo, que pra mim ele é importante... Não me importa se agora achas que me humilho... também já me julgaste arrogante... Mas nem sou isso nem aquilo... sou apenas o monstro que libertaste... sou apenas o peso do qual te livraste... Agora, eu apenas “quero amar, amar perdidamente... amar só por amar”... Amar, não para satisfazer a ninguém, mas apenas pra extravasar a imensidão desse sentimento que há em mim... Se ele não te serve, que pena! Só me resta senti-lo... e eu vou! Porque ele é verdadeiro e não espera recompensas nem retribuição, ele simplesmente existe e eu vou senti-lo até que ele se vá... Nunca mais aprisionarei meu coração, tornando-o escravo de feridas mal curadas, de amores mal vividos, de histórias mal resolvidas... Adoro usar as reticências, mas elas só ficam bem na literatura... A vida real fica melhor com ponto final.

Ao contrário de tudo o que hoje vês em mim... Não, eu não quero um carro novo... eu preferia o conforto de estar agarrada a ti, sobre duas rodas, sentindo o vento bater no meu rosto e trazendo o teu cheiro pra dentro de mim... Não, eu não queria o luxo de um apartamento reformado, com gesso no teto e espaço suficiente pra nos distanciar... Não, eu não queria ser maníaca por limpeza, nem neurótica por organização, nem perfeccionista “pé-no-saco”... Eu preferia que você tivesse me ensinado a ser leve assim como eu te ensinei a gostar de cebola...

Não, eu nunca quis te expulsar da minha vida, como eu fiz...

Na verdade, tudo o que eu REALMENTE queria o TEMPO TODO era poder ver a verdade enquanto verdade... Na verdade, tudo o que eu queria era não descobrir que as verdadeiras verdades eram as minhas; tudo o que eu queria era descobrir que eram verdades as TUAS verdades... Tudo o que eu queria era estar errada... como SEMPRE... de novo... Tudo o que eu queria era TUDO (ou quase) DE NOVO... Tudo o que eu queria era ter os teus pés sujos sobre os meus lençóis alvos... Tudo o que eu queria era ter pra sempre a tua “bagunça de coisas aparentemente sem sentido” espalhadas pela casa, ao meu redor, quebrando a harmonia desarmônica que o meu insuportável senso de organização impunha... Tudo o que eu queria juntar tuas cuecas e meias espalhadas pelo chão, não pra te ligar às sete da matina reclamando, mas sim pra poder continuar sentindo teu cheiro por todos os cantos enquanto estavas ausente, lembrando o quanto é forte a tua presença na minha vida... Tudo o que eu queria era poder te receber com um tapete vermelho ao entrar na nossa casa, ao invés jogar aos teus pés um velho fundo de gaiola de flandre tingido com logomarcas conhecidas...

Tudo o que eu queria era poder repetir o melhor passeio da minha vida, no mais precário transporte em que já andei e ainda assim me sentir a mulher mais feliz do mundo por isso e, mesmo com o traseiro doendo pelo desconforto do banco e os músculos contraídos pelo esforço pra me segurar, poder dar risada que nem menina travessa que acaba de realizar uma grande aventura... Tudo o que eu queria era o cheiro, o sal e o calor do teu suor na minha pele outra vez, pra depois tomarmos um banho... aquele... lavando um ao outro como só nós dois sabemos, pra depois suar tudo outra vez...

Tudo o que eu queria era o cheiro do mato, precariamente iluminado por entre as árvores pela cumplicidade da lua confidente, enquanto amor e química se misturavam indistintamente em nossos corpos, que por instantes traíam as leis da Física, ocupando um único espaço a um só tempo... Tudo o que eu queria era a opacidade de um vidro que encobria, sob os raios do sol a pino, momentos de tamanha sublimidade que mereciam ser publicados se não corressem o risco de serem interpretados como atentado ao pudor... Tudo o que eu queria era o aconchego com sabor de lar dum cubículo alugado onde a gente pudesse ser dois, três... quem sabe quatro... rolando pelo chão, diante da tv, todos deitados no tapete da sala ou no mesmo colchão... Tudo o que eu queria era uma velha cama de solteiro onde eu pudesse dormir imóvel a noite inteira e acordar no dia seguinte com um sorriso de orelha a orelha por ter dormido como um anjo... por ter dormido COM um ANJO... Por que eu precisaria de uma cama “king size” se o meu corpo só encontra paz nos teus braços, se a minha cabeça só encontra repouso no teu peito?! Tudo o que eu queria era que, ao fim de cada dia, ainda pudéssemos trocar confidências, imaginar loucuras, sonhar acordados, viajar juntos por dimensões às quais só um é capaz de transportar o outro, fazer planos para o futuro enquanto construíamos o presente olhando na mesma direção, trocar idéias que alimentavam nosso elo de cumplicidade, sermos os melhores amigos e depois nos amarmos como ninguém jamais amou e dormirmos abraçados, naquele suspiro uno de PAZ! Tudo o que eu queria era poder te surpreender com jantares à luz de velas ou com pequenos mimos espalhados pelos cantos da casa enquanto você me buscava sorrindo, só de saber que eu estava ali te esperando, escondida em algum lugar com o coração aos saltos...

Não, essa história não foi um filme de terror... ela foi por muito tempo um tórrido romance de amor... Mas, como em toda história, cabe a cada um guardar dela os trechos que lhe são mais marcantes...

Ao contrário de tudo o que hoje vês em mim... eu continuo sendo apenas aquela menina assustada que ficou presa no castelo... só que agora, sem muros nem paredes que me protejam...

Tudo o que eu queria era ter entendido antes que aquela cruz não era minha, que eu não a merecia, que nunca precisei carregá-la...

Tudo o que eu queria era ter ouvido os teus sinais de alerta e os teus gritos de “socorro” enquanto ainda havia tempo... enquanto eu ainda estava em terra firme... enquanto ainda havia brasas pra soprar...

Tudo o que eu REALMENTE queria era o que eu tinha e a mim me negava por duvidar de meus próprios méritos...
TUDO O QUE EU REALMENTE QUERIA, EU ENCONTREI EM TI, NAS TUAS INCONTÁVEIS QUALIDADES E NOS TEUS "GRANDES DEFEITOS"... TUDO O QUE EU SEMPRE QUIS PRA MIM, EU TIVE QUANDO "GANHEI" VOCÊ... MAS QUANDO TE ENCONTREI, JÁ TINHA DECIDIDO NÃO QUERER MAIS TUDO AQUILO QUE SEMPRE QUIS... Mas você chegou... entrou... invadiu... sem reservas... sem medo... me pegou desprevenida... jogou por terra todas as "convicções" que eu levei anos pra me "convencer" de que eram minhas...

Atrevido... destemido como menino que é... determinado como o homem que é... num piscar de olhos... numa troca de olhares... num sorriso... num beijo... sem qualquer esforço pôs abaixo cada tijolo das muralhas que eu levei anos pra levantar ao meu redor... "E me assustei... não sou perfeita... tive medo..." me senti ameaçada... não soube lidar com tamanha revolução íntima... Eu não estava preparada pra te amar... Eu não estava preparada pra ser tão amada... Duvidei! Questionei! Inquiri! Briguei! Fugi! Lutei! Contra você... contra o teu amor... mas acima de tudo contra mim mesma! Enfim, eu não sabia como administrar o conflito entre o que eu sentia, o que queria e o que temia... E por fim, destruí... a você? a mim? ao amor que me "ameaçava"? Não sei... ao invés de monstros e fantasmas, no fim das contas somente eu fiquei soterrada sob os destroços do meu castelo utópico, das minhas muralhas de ilusões... Tarde demais?! E daí?! Alguém pode me condenar por não ter percebido as coisas no seu devido tempo?! Quem pode ser condenado por ser "inocente"?! E quem determina o tempo certo das coisas?! TUDO acontece a seu tempo... Se não via antes o que vejo agora, talvez o tempo estivesse correndo contra mim... ou talvez eu estivesse correndo contra o tempo certo dos acontecimentos... talvez agora ele esteja a meu favor... talvez eu esteja correndo atrás do tempo perdido... desperdiçado... Quem controla o tempo?! NINGUÉM!!! Não adianta se iludir... Ele é senhor de si e do universo! É algoz e réu... é dor e bálsamo... amigo e traiçoeiro... mocinho e vilão... Não importa de que lado ele está no momento pra cada um... "O tempo é o senhor da razão"... é ele quem controla TUDO!

Caras Como Eu
(Titãs)

Caras como eu
Estão ficando raros
Como cabelos ralos
Que se partem e caem pelo chão

Caras como eu
Estão tirando o pé
Andando em marcha-ré
Com medo de entrar na contramão

Como trens do interior
Que não chegam no horário
Como velhos elefantes
Que morrem solitários

Caras como eu
Estão ficando chatos
Como solas de sapatos
Que se gastam
Com o passar do tempo

Não vou mais medir o tempo
Não vou mais contar as horas
Vou me entregar ao momento
Não vou mais tentar matar o tempo
Como palavras de amor
Que não se guardam em disquetes
Como segredos sem valor
Que a gente nunca esquece

Caras como eu
Estão ficando velhos
Calçando os seus chinelos
Concluindo que não há mais tempo
Não vou mais medir o tempo
Não vou mais contar as horas
Vou me entregar ao momento
Não vou mais tentar matar o tempo

Não vou mais medir o tempo
Não vou mais contar as horas
Vou me entregar ao momento
Não vou mais tentar matar o tempo

domingo, 19 de outubro de 2008

Efeito Dominó

Não sei bem ao certo por que, mas às vezes (pra não dizer o tempo todo) a vida parece funcionar sempre numa seqüência lógica – e talvez seja mesmo – de fatos que mesmo não tendo qualquer relação aparente entre si, parecem conseqüências uns dos outros...

Lei de Murphy?! Reação em Cadeia?! Causa e Efeito?! Teoria do Caos?! Efeito Dominó?!
Sei lá, hein! Mas o fato é que “a vida vem em ondas, como o mar... num indo e vindo infinito...”; em marolas que de uma hora pra outra se transformam em tsunamis... e, por hora, parece que “a bruxa anda solta”! E não é que ela resolveu sobrevoar a minha cabeça!!! Não sou lá muito supersticiosa não, mas... Saravá!!! Axé!!! Shalom!!! Oxalá!!! Halloween?!?!?!

Afinal, é outubro não é mesmo?! E ainda nem chegou 31... Acho que nesse dia, é melhor nem sair de casa... Aliás, muito bem lembrado... 31 DE OUTUBRO!!! Será que quem nasce nessa data é mesmo bruxo de verdade e eu convivi com ele sem sequer saber?! Pensando melhor, acho que eu deveria ser um pouquinho mais supersticiosa... ou... seria o contrário?! Será que eu sou tão supersticiosa que atraí um bruxo e mesmo tendo conseguido me libertar do seu feitiço fui “amaldiçoada” pelo resto desta existência?! Eu hein?! Eu devo ter sido uma menina muito má em vidas passadas pra ter reencarnado com esta missão...

Ontem, mais uma experiência sinistra, bizarra... que alguém suavizou com o nome gentil de "aventura"! Parece que estou ficando "aventureira" demais...
Sempre ouvi dizer que depois da tempestade vem a bonança, mas... depois de tantos feitiços, mandingas, bruxarias, magias, pragas, caês, carmas ou sei lá eu o quê, até hoje eu estou esperando por essa calmaria... e quando penso que ela chegou, tento levantar e encontrar um porto seguro, vem nova tempestade e vira o rumo do meu leme...

Mas tudo bem! Eu continuo navegando e enfrentando o mar bravio... uma hora eu sei que vou aportar! As tempestades têm passado e o meu barco tem resistido a todas elas... ele não espera pela bonança... ele segue mar a dentro em busca do seu porto... quem sabe, de uma pequena ilha (que não precisa ser deserta, é claro!)!!! O que importa mesmo, é que bruxas(os) podem sobrevoá-lo e até causar maremotos pra tentar naufragá-lo, mas ele resiste!

Acho que eu devo aproveitar a lua cheia deste fim de semana e tomar um banho de mar... um banho do melhor sal da terra pra espantar os maus-olhados... as mazelas... as urucubacas...
Hummmmmm... de repente, fiquei tão supersticiosa!!!


AAAAAAAAAAAAAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!! AAAAAAAAAAAAAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Como árvore

Ficar adulto é inevitável, mas crescer... é uma questão de escolha...Entretanto, em ambos os casos, é sempre preciso fazer escolhas... mas para crescer é preciso saber crescer...
Pra crescer... na vida... como pessoa... como profissional... como ser... como gente... é preciso saber "ser grande" sem se deixar ofuscar pelo ilusório brilho fugaz do "tornar-se grande"...

À medida que você vai crescendo, suas escolhas vão te fazendo crescer (ou não!)... e como árvore, você pode escolher ser os galhos, mais destacados, sempre almejando o topo... sempre num nível de visão mais elevado... sempre buscando se expandir... aparecer... sempre em busca de chegar cada vez mais alto, cada vez mais longe... tomando cada vez mais espaço... até que um dia, de tanto se estenderem na busca incessante de ir além de si mesmos, os galhos se tornam frágeis, ressequidos... terminarão quebrando ou sendo podados para darem lugar a outros galhos... a flores... talvez frutos...

Mas você também pode preferir ser raiz, mesmo sabendo que nunca vai aparecer... que nunca irá estar no topo... que nunca irá se sobressair aos demais e se tornar o centro das atenções; e ainda que muitas vezes será usada como suporte pra sustentar e apoiar alguns galhos podres que irão surgir na sua vida...
No entanto, você poderá crescer irrestritamente... e quanto maior for esse crescimento, mais profundo e consistente irá se tornar... mais forte será... maior será a sua importância como parte do todo... maior será o seu valor como sustentáculo das partes que formam essa árvore... e ainda que ela seja cortada, só restará a você o papel de fazer seus galhos brotarem de novo...

Ser "GRANDE" nem sempre significa estar no andar mais alto, no nível mais elevado de visão... nem sempre significa ser o centro das atenções...
Pra se destacar, nem sempre é necessário estar no meio do palco, diante dos holofotes... Às vezes, é muito mais importante estar por trás das cortinas fechadas...
Pra ser realmente grande, não é preciso estar em cena, representando e recebendo os aplausos... Você pode ser muito maior estando nos bastidores, movimentando as engrenagens do maquinário que rege o espetáculo da vida...

A árvore pode facilmente tombar tanto mais alta seja, mas pra destruir suas raízes, há que se cavar profundamente nas entranhas da terra...

Crescer e ser grande são coisas completamente distintas... Crescer e ser grande são valores que, às vezes, podem ser tão diferentes... E cabe a cada um, de acordo com suas escolhas, seus princípios, escolher entre crescer e ser grande... ou, quem sabe, ao tornar-se adulto, crescer sabendo ser gente grande...

domingo, 28 de setembro de 2008

Hora de sair do ostracismo...


CHEGA!!!
É passada a hora de sair de dentro da concha e abandonar o falso protecionismo dessa carapaça ôca, que como uma redoma blindada eu (in)conscientemente tentei colocar à minha volta, na infantil ilusão me resguardar de tudo e de todos... do mundo... Como uma ostra invadida por um parasita, liberei a minha "madrepérola" para me proteger, sem perceber que passou tempo demais, que não havia mais risco e que ela já se havia cristalizado, pérola pronta para ser encontrada e apreciada por exímio mergulhador...

É passada a hora de me encontrar comigo mesma e me sentir benvinda por mim... Nunca mais quero me olhar no espelho e ver refletida a imagem dessa estranha desconhecida que insiste em se colocar diante de mim... "Em que espelho ficou perdida a minha face?" Não importa, eu vou encontrá-la!

É passada a hora de parar de secar as lágrimas e lamber as feridas... Para que continuar chorando pelo leite que distraidamente derramei, enquanto a vida me oferece um novo copo, cheio e fresco para saborear...? Irei agarrá-lo firmemente, com ambas as mãos e desta vez estarei atenta... jamais o deixarei cair de novo!

É passada a hora de cortar as amarras que me prendem a um passado que nada mais me acrescenta, que só me fez acreditar por muito tempo que eu não merecia a felicidade que a vida de bom grado me ofertava, que me impedia de viver o presente que se descortina dia a dia ante os meus olhos turvos...

É passada a hora de retomar o leme desse barco que há tempos anda à deriva e cujo rumo nem o mais habilidoso dos capitães foi capaz de manter, pois só cabe a mim norteá-lo... hora de relembrar quando as tempestades eram saborosas aventuras que me encorajavam ainda mais, ao invés de me fazerem largar o timão e esperar em desespero pelo naufrágio...

É hora de parar de temer... hora de parar de tremer diante das adversidades, porque no fundo, estar presa nessa concha de ilusória proteção nunca me poupou de nada... ao contrário, apenas me impediu de apreciar a imensa beleza que há no fundo do oceano...

Agora que as cinzas são apenas cinzas, é hora de deixar que a Fênix que há dentro de mim finalmente renasça e voe livre, banhada pelo sol de um novo dia, asas abertas em direção ao horizonte que há tanto tempo me espera...

E eu chego já! Não me darei mais ao luxo de me demorar...

Acima Do Sol (Skank)
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!

Assim ela já vai
Achar o cara que lhe queira
Como você não quis fazer
Sim, eu sei que ela só vai
Achar alguém pra vida inteira
Como você não quis...

Tão fácil perceber
Que a sorte escolheu você
E você cego, nem nota
Quando tudo ainda é nada
Quando o dia é madrugada
Você gastou sua cota...

Eu não posso te ajudar
Esse caminho não há outro
Que por você faça
Eu queria insistir
Mas o caminho só existe
Quando você passa...

Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!

Quando muito ainda é pouco
Você quer infantil e louco
Um sol acima do sol
Mas quando sempre
É sempre nunca
Quando ao lado ainda
É muito mais longe
Que qualquer lugar...

Um dia ela já vai
Achar o cara que lhe queira
Como você não quis fazer
Sim, eu sei que ela só vai
Achar alguém prá vida inteira
Como você não quis...

Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!

Se a sorte lhe sorriu
Porque não sorrir de volta
Você nunca olha a sua volta
Não quero estar sendo mal
Moralista ou banal
Aqui está o que me afligia...

Um dia ela já vai
Achar o cara que lhe queira
Como você não quis fazer
Sim, eu sei que ela só vai
Achar alguém prá vida inteira
Como você não quis...

Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!

Desta vez, quando a sorte me sorrir, já vai me encontrar de sorriso aberto, franco, não só com os lábios, mas com todo o corpo e a alma sorrindo pra ela... ;)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Quando tudo está perdido...


A Via Láctea (Legião Urbana)

Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz...
Mas não me diga isso...

Hoje a tristeza
Não é passageira
Hoje fiquei com febre
A tarde inteira
E quando chegar a noite
Cada estrela
Parecerá uma lágrima...

Queria ser como os outros
E rir das desgraças da vida
Ou fingir estar sempre bem
Ver a leveza
Das coisas com humor...

Mas não me diga isso...
É só hoje e isso passa
Só me deixe aqui quieto
Isso passa
Amanhã é um outro dia
Não é?...

Eu nem sei porque
Me sinto assim
Vem de repente um anjo
Triste perto de mim...

E essa febre que não passa
E meu sorriso sem graça
Não me dê atenção
Mas obrigado
Por pensar em mim...

Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho...

Quando tudo está perdido
Eu me sinto tão sozinho
Quando tudo está perdido
Não quero mais ser
Quem eu sou...

Mas não me diga isso
Não me dê atenção
E obrigado
Por pensar em mim...

Não me diga isso
Não me dê atenção
E obrigado
Por pensar em mim...

*************************************************************************************
Quando tudo na sua vida está errado, quando você olha ao seu redor e percebe que tudo está de cabeça pra baixo e parece não ter mais conserto...
o mundo parece estar girando ao contrário e o tempo passa em sentido anti-horário... Você quer detê-lo, mas parece estar imerso em um terrível pesadelo...
Então você só pensa em acordar e ver tudo de volta ao seu devido lugar...

Mas aí, você percebe que já está desperto... então por que será que seus pés, estão plantados no teto???
Você procura colocar tudo em ordem, mas é em vão... quanto mais você tenta segurar as coisas, mais elas escapam da sua mão!

Quando tudo na sua vida está errado, você pensa que o mundo à sua volta é que mudou... mas a cada passo que deu pra frente, dez passos você recuou... e sem perceber você volta pelo mesmo caminho que um dia já trilhou...
Você lembra que nesse caminho havia flores... mas quem as teria arrancado??? Terão ido embora junto com os ardores que você despertava no ser amado???

Você olha ao redor sem conseguir entender como pode, de repente, o mundo todo estar tão diferente... até que um dia você se dá conta, do que já sabia, no fundo: pra ser bem sincera, não há nada de errado com o mundo... E finalmente aceita que não adianta querer consertar tudo ao seu "bel prazer", pois na verdade, só quem estava de cabeça pra baixo o tempo todo, era VOCÊ!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Fios de Vida

A vida é mesmo um insondável mistério... Um infinito, intrigante e indecifrável mistério tecido sobre uma imensa teia de tênues fios que dividem extremos opostos, sobre os quais somos impelidos a caminhar, como que numa corda-bamba, no iminente e constante risco de perder o equilíbrio e pender para um dos lados. Bem e mal; amor e ódio; saúde e doença; alegria e dor; paz e guerra; admiração e desprezo; atenção e indiferença; paraíso e inferno; luz e escuridão... todas as possibilidades expostas em paralelo à nossa frente, divididas apenas por esses fios invisíveis sobre os quais andamos com o firme propósito de chegar a algum ponto que determinamos e que nunca será o de destino, pois sempre estaremos na busca por um novo ponto, que será o de partida para outro... e assim seguimos vida afora, cientes de que a qualquer momento o fio poderá romper-se e poderemos cair em meio ao vão, ultrapassando o tênue limiar que separa esses opostos, misturando-os, e então só haverá duas possibilidades: ou emendamos cuidadosamente o fio que se partiu para continuar nossa caminhada, ou nos enredamos na teia de tal forma que não será mais possível sair e, neste caso, quando perdemos o nosso equilíbrio e nos permitimos envolver pelos pegajosos fios dessa teia, quanto mais lutamos, esperneamos e nos debatemos, mais presos ficamos... presas fáceis de armadilhas que desconhecemos... e a vida, a vida não pára pra esperar que consertemos os fios ou que consigamos nos desvencilhar da viscosidade da teia. Ela simplesmente segue seu curso... Às vezes aparecem “anjos da guarda” que nos ajudam a recompor nossos fios; amigos que nos auxiliam a sair do vazio e subir novamente, retomando a trilha. Outras vezes, aqueles a quem julgamos amigos simplesmente nos dão as costas, porque têm pressa na sua caminhada e não podem parar ao longo do percurso pra ajudar àqueles que caíram, sem lembrar que essa teia é circular, que andamos todos sobre os mesmos fios e que, num momento qualquer, eles também poderão cair e precisar de ajuda. Mas mesmo assim a vida não pára, e se quisermos continuar caminhando, é preciso consertar os fios com nossas próprias mãos. Não é fácil, mas é tão inevitável quanto caminhar sem nunca cair. Há momentos em que dá vontade de não ter que acordar no dia seguinte, só pra não ter que seguir caminhando... mas há também outros em que tudo o que se quer é nutrir a esperança de que haverá um novo dia, onde o caminho pode ser mais fácil e em que pisaremos com mais firmeza e convicção, pois já experimentamos o (dis)sabor da queda. Mas até nisso a vida pode ser ambígua, e ao invés de ficarmos mais resistentes depois de cair, podemos nos tornar mais frágeis... A questão é que, quando o fio sobre o qual andamos se rompe, os opostos se fundem e o que era bom pode se tornar ruim; o que era amor pode virar ódio; o que era carinho, hostilidade... mas nunca o contrário, porque o que é negativo está sempre à espreita, esperando a nossa queda pra sobrepujar tudo o que havia de bom e desse lado bom, só podemos usufruir se nos mantivermos equilibrados sobre os fios dessa teia que é a vida, onde a coragem é a nossa maior aliada e o medo de cair, o nosso pior inimigo. É ele quem nos assombra, nos faz temer e tombar até despencar. É tão sórdida e traiçoeira companhia que muitas vezes só nos damos conta dele depois que já dominou a nossa coragem por completo... e então, a queda é certa.
O medo nos cega, nos faz caminhar de olhos vendados, nos adoece... não do corpo, não da mente... adoece a nossa alma, adoece as nossas emoções, adoece os nossos sentimentos... nos desequilibra e nos derruba, nos massacra e pisoteia... nos faz doentes... E como toda doença, é preciso ser tratado; difícil é perceber seus sintomas... a princípio, eles são sutis. Não há dores físicas... não há lesões aparentes... não há hematomas... há somente a devastação interior e até que estes sintomas sejam visíveis aos olhos, a doença já se alastrou e os danos podem ser irreparáveis... É muito mais delicado e complexo do que tratar doenças físicas, porque pra ele não se fabricam remédios, não há cirurgias, não há transplante... É possível trocar um coração, um rim, uma córnea... mas quem pode trocar uma alma?!
Quando o medo adoece a alma, destrói todos os outros sentimentos... desestabiliza-nos, desequilibra-nos, balança com força incomensurável os nossos fios de vida até nos derrubar. Como um ímã, nos arrasta para baixo quanto maior é o nosso esforço para emergir... e se não descobrimos a tempo os seus sintomas, ele nos vence! É uma doença voraz, que não pode ser tratada com paliativos; um mal que deve ser destruído pela raiz! Mas... e quando essa raiz ficou lá atrás, num passado remoto??? Um passado de longos anos, que nos fez caminhar sozinhos, decididos a não revivê-lo??? O que acontece??? Eu sei!
Como um vírus incubado dentro de nós, esse medo nos segue quietinho, deixando-se ser esquecido e esperando a hora certa de atacar... e nos deixa caminhar "livremente" acreditando já termos nos livrado dele, até que novos e inesperados fios se colocam diante de nós, nos convidando a segui-los... fios de caminhos que já havíamos decidido não mais trilhar... mas são tão convidativos que resolvemos nos arriscar, pé ante pé, devagarinho... depois nos arriscamos mesmo a acelerar o passo... e o medo nos deixa ir confiantes, ávidos, até que não seja mais possível voltar sobre o nosso passo... e é então que ele nos ataca de novo! Primeiro vem de mansinho, se alojando lentamente em nossa alma até nos consumir por completo e nos fazer revivê-lo com toda a intensidade de outrora... nos cega completamente e só se faz notar quando os novos fios, antes fortes e vigorosos, já estão desgastados e frágeis e já não há mais como emendá-los e seguir em frente...
E de novo nos vemos sós... alma dilacerada... mãos calejadas e trêmulas tentando novamente remendar os fios da vida que precisa continuar...

Por outro lado, agora não há mais como o medo se esconder... ele pode finalmente ser tratado, como qualquer doença, e assim como o corpo, também a alma pode imunizar-se, afinal, não é do vírus que se criam as vacinas?!
Assim como outras doenças, adoecer da alma também causa dor e sofrimento, mas não há mal que não tenha cura, pranto que não cesse, nem dor que não passe...

"Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. [...] A dor é inevitável. O sofrimento é opcional." (Drummond)

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Não era pra ser um texto triste, mas acho que ficou mesmo assim... não importa!

O Sol
(Jota Quest)

Ei, dor!
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada
Ei, medo!
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada...

E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou...

Ei, dor!
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada
Ei, medo!
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada...

E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou
É pra lá que eu vou...

E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou...

Yeah! Han!
Caminho do Sol, eh!
Lá lararará!
Caminho do Sol, eh!...

E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou...

E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou
É pra lá que eu vou...
Lá lararará, lararará
É pra lá
É pra lá que eu vou
Lá lararará, lararará
Aonde eu vou?
Aonde tenha Sol
É pra lá que eu vou
Lá lararará, lararará
É pra lá
É pra lá que eu vou
Lá lararará, lararará
É pra lá que eu vou
É pra lá que eu vou
Lá lararará, lararará...

domingo, 7 de setembro de 2008

Da cor do vazio

Hoje não há muito o que dizer... o vazio da alma tolhe a inspiração! Mas há a necessidade de expressar... essa está sempre presente, inquietando o coração!
Hoje não há luz nem cor... só o vazio... Aliás, qual será a cor do vazio?! Pois é dessa cor que está minh'alma...

"Liberte-se do desejo de controlar com o fim de sentir-se seguro. Esqueça-se de si e dos demais e siga o que é para ser. Observe as oportunidades ao seu redor, tão logo começar a libertar-se. Abra-se para novas maneiras de ser, novos amigos, novas idéias e novas direções que são criadas pela libertação de velhos hábitos. Caminha nesta nova realidade sem medo."

Mais Uma Vez
Jota Quest

Te tenho com a certeza
De que você pode ir
Te amo com a certeza
De que irá voltar
Pra gente ser feliz
Você surgiu e juntos
Conseguimos ir mais longe

Você dividiu comigo a sua história
E me ajudou a construir a minha
Hoje mais do que nunca somos dois
A nossa liberdade é o que nos prende


Viva todo o seu mundo
Sinta toda liberdade
E quando a hora chegar, volta...
Que o nosso amor está acima das coisas...desse mundo

Vai dizer que o tempo
Não parou naquele momento
Eu espero por você
O tempo que for
Pra ficarmos juntos
Mais uma vez!

Te tenho com a certeza
De que você pode ir,
Te amo com a certeza
De que irá voltar
Pra gente ser feliz
Você surgiu e juntos conseguimos ir mais longe
Você dividiu comigo a sua história
E me ajudou a construir a minha
Hoje mais do que nunca... somos dois

Vai dizer que o tempo
Não parou naquele momento
Eu espero por você
O tempo que for
Pra ficarmos juntos
Mais uma vez...

Não parou naquele momento
Eu espero por você
O tempo que for
Nós vamos estar juntos
Estar juntos
Mais uma vez...

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

"O essencial é invisível aos olhos"

"A vida é cíclica", dizia o biscoito da sorte...
A princípio, uma frase aparentemente simples, comum, meio banal até... mesmo assim, como se tratava de um "biscoito da sorte", cada um cuidou de analisar aquela mensagem sutil de acordo com o seu próprio estado de espírito, seu momento, suas expectativas... uns mais introspectivos que outros, cada um internalizando à sua maneira o sentido daquelas palavras... Ainda assim, ninguém deu tanta importância, mas de alguma forma, sabe-se lá por que, elas ficaram gravadas na nossa memória, voltando à tona de vez em quando, em diferentes momentos e situações... No entanto, elas nunca antes pareceram fazer tanto sentido...

Tanto tempo se passou... tanta coisa aconteceu... tanta mudança se experimentou... E de repente, pluft! parece fazer tanto sentido agora a força daquelas palavras... Uma encruzilhada cujo rumo certo é desconhecido; um momento corriqueiro do cotidiano: um abrir e fechar de portas, um sobe e desce de pessoas; desencontros; o apoio ansiosamente esperado e tantas vezes adiado, fazendo sufocar os sentimentos doloridos; e finalmente o encontro... As lembranças, a restrospectiva em posições inversas, a reciprocidade e a partilha de cada ínfimo detalhe, de cada mínima sensação... Conversas, confidências e fica tudo tão claro! É como sair de um transe, despertando num estalar de dedos pra realidade... Como é profunda a sabedoria oriental! E não é que o tal biscoito estava certo!!! Tão simples perceber agora...
Na verdade, se olhássemos mais atentamente ao nosso redor, seria até óbvia demais esta ciclicidade... pra se moverem, pra mudarem, pra acontecerem as coisas precisam girar... a Terra, o homem, o tempo... tudo se movimenta em círculos, girando e voltando ao ponto de partida, só que de outro jeito.
Sim! A vida é cíclica! Mas isso não significa que estamos "correndo atrás do próprio rabo"... Giramos o tempo todo e não importa quanto tempo leva, sempre voltaremos ao mesmo ponto, em algum momento... No entanto, a cada volta, vemos tantas coisas novas, diferentes... e aprendemos sempre alguma coisa que nos permite enxergar com outros olhos aquele ponto que deixamos lá atrás... E essa é a melhor parte! Certamente ainda vamos passar muitas vezes por esse mesmo ponto, porém, a cada uma delas vamos vê-lo de uma nova forma... até que um dia, não vamos mais conseguir lembrar exatamente onde é que ele ficava...
"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos." (Antoine de Saint-Exupéry)